Editorial
A subida e descida do fator de impacto: «Cada nuvem tem um revestimento de prata»
The ups and downs of the impact factor: «Every cloud has a silver lining»
J.C. Wincka,, , A. Moraisb
a Editor-Chefe, Revista Portuguesa de Pneumologia
b Editor-Associado, Revista Portuguesa de Pneumologia

De acordo com nossas projeções, o próximo fator de impacto (FI) da Revista Portuguesa de Pneumologia (RPP) terá um valor aproximado de 0,25, significando uma diminuição de cerca de 28%. Os altos e baixos do FI, tanto em pequenas como nas grandes revistas médicas, têm sido descritos1–3 e estima-se o desvio padrão relativo de variação anual do FI entre 10 e 20%4. Além disso, a variação do FI está diretamente relacionada com o tamanho da revista, com pequenos periódicos a terem variações de 40%, enquanto revistas de maior dimensão mostram flutuações de cerca de 15%3. A diminuição do FI da RPP deve-se igualmente ao aumento do número de artigos publicados em 2009 e 2010 (no denominador da FI) e à redução do número de autocitações. A taxa elevada de autocitações de uma revista pode afetar positivamente o fator de impacto5, mas é analisada de forma negativa pela ISI-Thomson Reuters, como é exemplo a penalização recente de uma das 3 revistas médicas espanholas com maior FI (e com mais de 50% de autocitação), retirando-a da lista de 2010 do Journal Citation Reports. Esperamos que, com o aumento da qualidade de artigos na RPP e a maior visibilidade dos autores, (como resultado de um maior reconhecimento internacional da revista) o valor do FI aumente, mesmo com uma diminuição concomitante do nível de autocitação.

O FI é moroso a refletir as alterações efetuadas numa revista. Na verdade, o FI de 2011 reflete um período que se inicia em 2009, pouco antes do início da nossa atividade como Editores. Temos de aguardar por 2014 para ver o FI de 2013, que espelhará o conteúdo de nossa revista de 2011 e 2012, refletindo assim as mudanças que temos implementado. Estamos então ansiosos para observar as próximas variações anuais do FI, esperando que a tendência possa ser positiva a longo prazo. A qualidade de uma revista reflete diretamente a qualidade dos seus revisores. A RPP melhorou substancialmente o seu processo de revisão, convidando um grande número de revisores em todo o mundo. Este processo levou a um processo mais seletivo na revisão e aprovação dos manuscritos, tendo igualmente como consequência um maior cuidado nos artigos enviados pelos autores.

Número atual

No número atual iniciamos um novo tipo de artigos designados como «Novas perspetivas em Pneumologia», com 2 leaders de opinião internacionais a revisitarem o tema da oxigenoterapia de longa duração6,7. É publicada pela primeira vez uma interessante meta-análise de Andrade de Sá Feitosa et al. sobre a acuidade diagnóstica do óxido nítrico exalado no broncoespasmo induzido pelo exercício8.

Estamos convencidos de que, apesar dos altos e baixos do Fator de Impacto, a Revista Portuguesa de Pneumologia está a fazer o seu caminho de um pequeno jornal médico, que progressivamente vai ganhando reputação na comunidade internacional respiratória. Assim, em cada nuvem, temos de olhar para o seu lado positivo...

Bibliografia
1
N. Kovacić,A. Misak
What can be learned from impact factor of Croatian Medical Journal, 1994-2003?
Croat Med J, 45 (2004), pp. 13-17
2
M. Chew,E.V. Villanueva,M.B. Van Der Weyden
Life and times of the impact factor: retrospective analysis of trends for seven medical journals (1994-2005) and their Editors’ views
J R Soc Med, 100 (2007), pp. 142-150 http://dx.doi.org/10.1258/jrsm.100.3.142
3
L. Benítez-Bribiesca
The ups and downs of the impact factor: the case of Archives of Medical Research
Arch Med Res, 33 (2002), pp. 91-94
4
T.L. Ogden,D.L. Bartley
The ups and downs of journal impact factors
Ann Occup Hyg, 52 (2008), pp. 73-82 http://dx.doi.org/10.1093/annhyg/men002
5
A. Fassoulaki,A. Paraskeva,K. Papilas,G. Karabinis
Self-citations in six anaesthesia journals and their significance in determining the impact factor
Br J Anaesth, 84 (2000), pp. 266-269
6
P.J. Dunne
Long-term oxygen therapy (LTOT) revisited: In defense of non-delivery LTOT technology
Rev Port Pneumol, 18 (2012), pp. 155-157 http://dx.doi.org/10.1016/j.rppneu.2012.02.011
7
M.J. Kampelmacher
Long-term oxygen therapy (LTOT) revisited: In defense of traditional LTOT systems
Rev Port Pneumol, 18 (2012), pp. 158-159 http://dx.doi.org/10.1016/j.rppneu.2012.04.003
8
L. Andrade de Sá Feitosa,A. Dornelas de Andrade,C. Reinaux,M. Britto
Diagnostic accuracy of exhaled nitric oxide in exercise-induced bronchospasm: a systematic review
Rev Port Pneumol, 18 (2012), pp. 198-204 http://dx.doi.org/10.1016/j.rppneu.2012.01.008

Warning: Invalid argument supplied for foreach() in /var/www/html/includes_ws/librerias/html/item.php on line 1203
Copyright © 2012. Sociedade Portuguesa de Pneumologia