Carcinoma do bordo da língua em fase inicial. Apresentação de dois casos clínicos

Coimbra, Filipe; Costa, Raquel; Lopes, Otília; Barbosa, Elisabete; Felino, António;
Publicado na Rev Port Estomatol Med Dent Cir Maxilofac.. 2011;52:77-82

Resumo

O carcinoma do bordo da língua é um dos carcinomas mais frequentes da cavidade oral, manifestando-se em 37 % dos casos. 90 % destes correspondem a carcinoma de células escamosas (CCE). A sobrevida é estimada em 5 anos, sendo inversamente proporcional à sua detecção. Daí a importância de detectar as lesões em fase inicial. O Objectivo deste trabalho é discutir qual o tipo de tratamento mais eficaz para os estadios iniciais do carcinoma da língua que permita uma sobrevida prolongada com o mínimo de sequelas.
Palavras-chave: Carcinoma da língua. Cirurgia. Radioterapia. Metástases linfonodais ocultas. Esvaziamento Cervical Electivo (ECE). Tomografia Axial Computorizada (TAC)

Texto completo

Introdução

O cancro oral tem origem epitelial em 90 % dos casos 1 e é uma das dez causas de morte predominantes no mundo inteiro 2. Dados recentes indicam que 37 % dos cancros orais ocorrem na língua, no entanto a prevalência varia consoante o país em causa. 3 Em 55 % a 70 % dos casos localizam-se no bordo lateral da língua na junção entre o terço médio e o posterior 1. Aparece predominantemente por volta dos 60 anos, na proporção aproximada de 2:1 entre homens e mulheres 1,4. A carga genética é o seu factor etiológico essencial, mas o nível económico, educacional e o acesso aos cuidados de saúde são fundamentais na prevenção. A associação entre o tabaco e o carcinoma oral têm vindo a ser estabelecida em estudos epidemiológicos, mostrando que existe maior propensão para indivíduos fumadores do que em não fumadores. O álcool, especialmente a longo prazo e usado em excesso, também está associado à incidência desta neoplasia 5. Estes dois hábitos usados em conjunto aumentam em 10 vezes o risco de cancro oral 3.

A sobrevida do carcinoma da língua é de 33 %, inversamente proporcional à detecção precoce, o que torna a prevenção secundária fundamental na redução da morbilidade e da mortalidade 3,5.

O American Joint Commitee on Cancer (AJCC) desenvolveu um sistema de classificação dos tumores a que deu o nome de TNM.

Esta classificação baseia-se no tamanho da neo-formação (T), na presença de nódulos linfáticos palpáveis (N) e na existência de metástases distantes (M) 2,3 (fig. 1), mas a biopsia incisional, com análise histológica, é indispensável para o diagnóstico. Dado que as metástases ocultas (subclínicas) nos gânglios linfáticos cervicais são frequentes 6, os meios auxiliares de diagnóstico como a Ultrassonografia (US), a Tomografia Axial Computorizada (TAC), a Imagem de Ressonância Magnética (IRM), e a Tomografia por Emissão de Positrões (TEP), são de grande importância na sua detecção. De facto, estima-se que identifiquem 30-40 % das metástases linfáticas despercebidas à palpação dos gânglios cervicais (exame extra-oral) 6,7.

Figura 1 - Classificação TNM 2.

Figura 1 - Classificação TNM 2.

Neste artigo pretendemos discutir os protocolos cirúrgicos para o tratamento do carcinoma da língua em fase inicial T1 e T2 já que eles variam e não são totalmente consensuais nos vários centros terapêuticos de excelência. Faremos ainda uma pequena revisão dos métodos mais fiáveis para avaliar as metástases ganglionares.

Material e métodos

Os dois casos clínicos pertencem ao arquivo do autor. Na revisão da literatura apenas utilizámos artigos publicados entre 1995 e 2009, dada a reconhecida insuficiência das publicações mais antigas, nomeadamente todos os artigos sobre o tema publicado na "The Dental Clinics of North America".

A base de dados da Medline - pubmed (www.pubmed.com) constituiu a fonte de pesquisa de resumos de acordo com as seguintes entradas: Squamous cell carcinoma [MeSH Terms] OR Cancer of the tongue [ MeSH Terms] OR Early carcinoma of the tongue [ MeSH Terms] AND Diagnosis, Surgery, Radiotherapy, Elective Neck Treatment, Occult Limph Node Metastasis, Computed tomography.

Casos clínicos

Caso clínico 1

Paciente JESC, engenheiro, de 54 anos, caucasiano apareceu há 10 meses na nossa consulta. Apresentava uma lesão branca de 3 cm de comprimento não removível por raspagem, localizada no bordo da língua do lado esquerdo (fig. 2). À palpação não foram assinalados gânglios palpáveis nas cadeias submaxilares e cervicais.

Figura 2 - Lesão Branca no bordo esquerdo da Língua, não removida por raspagem.

Figura 2 - Lesão Branca no bordo esquerdo da Língua, não removida por raspagem.

A lesão tinha aparecido há 2 anos e foi atribuída a trauma causado pelo dente 38. Na altura uma biopsia incisional revelou epitélio acantólico espessado com hiperplasia basal e áreas superficiais de erosão. Discreto infiltrado crónico na substância própria com pouca permeação epitelial. Ausência de alterações citológicas neoplásicas. Foi classificado como lesão inflamatória crónica benigna provavelmente de natureza traumática. O dente 38 foi desgastado para eliminar o factor traumático.

Como a lesão se manteve e apresentasse tendência para aumentar de extensão, o doente procurou-nos e efectuamos nova biopsia incisional.

O exame histológico revelou carcinoma epidermóide moderadamente diferenciado, que infiltrava o córion subjacente até á interface com o plano muscular estriado. A mucosa supra jacente estava ulcerada e havia imagens de displasia grave/carcinoma in situ e infiltrado inflamatório mononuclear em banda (fig. 3).

Figura 3 - Observação ao Microscópio Óptico de cortes histológicos da peça Cirúrgica: a) carcinoma epidermóide queratinizado (estrelas) com infiltração do córion e plano muscular, numa ampliação de 5×; b) músculo estriado (seta) com um infiltrado mononuclear supra jacente (estrela) e o carcinoma no canto superior direito, numa ampliação de 10×; c) células neoplásicas com elevado índice mitótico (setas), numa ampliação de 40×.

Figura 3 - Observação ao Microscópio Óptico de cortes histológicos da peça Cirúrgica: a) carcinoma epidermóide queratinizado (estrelas) com infiltração do córion e plano muscular, numa ampliação de 5×; b) músculo estriado (seta) com um infiltrado mononuclear supra jacente (estrela) e o carcinoma no canto superior direito, numa ampliação de 10×; c) células neoplásicas com elevado índice mitótico (setas), numa ampliação de 40×.

O carcinoma foi classificado no estádio T2 N0 M0. Uma TAC abdominal superior, do pescoço e do tórax não revelou metástases nas cadeias gânglionares do pescoço nem metástases pulmonares. Procedeu-se à exérese com margens de 1 cm e esvaziamento dos gânglios submandibulares e cervicais até ao 4.º nível. No exame anátomo-patológico as margens estavam isentas de células tumorais assim como os gânglios linfáticos.

O doente observado na nossa consulta passado 6 meses apresentava língua sem lesões, com boa mobilidade, e dicção normal embora continuasse a praticar terapia da fala (fig. 4).

Figura 4 - Caso 1 após cirurgia.

Figura 4 - Caso 1 após cirurgia.

Caso clínico 2

Paciente AFSM, médico, de 63 anos, caucasiano. Sentia uma massa estranha no bordo direito da língua há cerca de um mês.

Ao exame objectivo, observámos uma zona ligeiramente exofítica de superfície irregular, com 3,5 cm de comprimento no seu eixo maior (fig. 5). À palpação havia ligeiro endurecimento dos bordos. Na pesquisa das cadeias ganglionares submandibulares e do pescoço não se detectaram gânglios palpáveis. A biopsia incisional efectuada na mesma consulta revelou carcinoma epidermóide queratinizado, de superfície verrugosa, com infiltração do córion e plano muscular subjacente (fig. 6).

Figura 5 - Lesão exofítica e avermelhada no bordo direito da língua.

Figura 5 - Lesão exofítica e avermelhada no bordo direito da língua.

Figura 6 - Observação ao Microscópio Óptico de cortes histológicos retirados da peça Cirúrgica: a) mucosa com lesão ulcerada central, rodeada por epitélio normal (setas) numa ampliação de 5×; b) ninhos de células neoplásicas (setas) a invadir o estroma, numa ampliação de 10×; c) transição de epitélio normal (seta) para neoplásico (estrela) e ainda a presença de um infiltrado inflamatório mononuclear "em banda" (círculo), numa ampliação de 20×; d) detalhe das células neoplásicas com núcleos grandes, nucléolos evidentes, citoplasma eosinófilo e relação núcleo-citoplasma numa ampliação 40×.

Figura 6 - Observação ao Microscópio Óptico de cortes histológicos retirados da peça Cirúrgica: a) mucosa com lesão ulcerada central, rodeada por epitélio normal (setas) numa ampliação de 5×; b) ninhos de células neoplásicas (setas) a invadir o estroma, numa ampliação de 10×; c) transição de epitélio normal (seta) para neoplásico (estrela) e ainda a presença de um infiltrado inflamatório mononuclear "em banda" (círculo), numa ampliação de 20×; d) detalhe das células neoplásicas com núcleos grandes, nucléolos evidentes, citoplasma eosinófilo e relação núcleo-citoplasma numa ampliação 40×.

Uma TAC abdominal superior, do pescoço e do tórax não revelou metástases. O tumor foi classificado como T2 N0 M0.

O doente foi operado com eliminação do tumor com margens de segurança de 1 cm e esvaziamento do gânglio sentinela. As margens apresentavam ausência de células tumorais e o gânglio estava limpo.

Observámos o doente 15 dias após a cirurgia. O estado geral era bom mas a língua tinha um desvio para a direita e o doente exibia alguma dificuldade na fala. Aconselhámos terapia da fala.

Discussão

Os estadios iniciais do carcinoma da língua são normalmente tratados com cirurgia 1,2,5. A combinação com radioterapia é utilizada em fases mais avançadas da doença 2.

Há consenso entre autores em considerar a excisão cirúrgica o tratamento indicado para o estadio I do carcinoma da língua 4,8,9. Para o estadio II, porém, no qual pode existir invasão dos nódulos linfáticos, requer-se por via de regra o esvaziamento dos gânglios cervicais de forma a fornecer informação sobre o envolvimento ganglionar e determinar a necessidade de radiação adjuvante. As metástases ocultas para o estádio II ocorrem em 40 % dos casos 4,10.

Os dois casos clínicos aqui apresentados, embora não apresentassem metástases no pescoço, foram classificados no estadio II pelo tamanho do tumor. A opção terapêutica foi a exérese da lesão com margens de segurança de 1cm. A bibliografia é consensual ao aconselhar margens de 1cm embora alguns autores preconizem como mínimo aceitável os 0,5mm. 9 De facto, Hicks et al 10 registaram recidivas locais em 15 % das exéreses com margem estreita inferior a 1 cm e 9 % quando as margens ultrapassavam essa dimensão.

Outro problema é o de saber até que profundidade deve ir a exérese. Nos nossos casos foi determinada por exame extemporâneo através de cortes de congelação. Quando este método não é possível podemos recorrer à ultrassonografia (US). Shintani et al 11 verificaram que para tumores com menos de 5 mm de espessura (factor importante na predictibilidade das metástases cervicais ocultas) a TAC e IRM não conseguiam identificar com precisão a sua espessura. A US porém mostrou que conseguia identificá-la, embora se deva ter em consideração que em tumores rodeados por tecido inflamatório, exista certa dificuldade em distinguir o tumor da inflamação pelo que aquele pode parecer mais largo e espesso do que é na realidade. Mesmo assim continua válido o cálculo da extensão em profundidade do tumor pela ultrassonografia para a partir daí respeitar uma margem livre de 1cm.

Outra questão é a do esvaziamento electivo dos gânglios linfáticos do pescoço. Nos presentes dois casos não havia atingimento das cadeias ganglionares do pescoço quer pela palpação quer por TAC. No entanto, devemos referir que segundo Hicks et al 10 a incidência de envolvimento de gânglios linfáticos por metástases (N+) é de 6 %, 36 %, 50 % e 67 % para os estadios T1, T2, T3 e T4, respectivamente. Vinte e cinco por cento dos pacientes submetidos ao esvaziamento cervical electivo apresentavam nódulos patológicos positivos, no nível I ou II. Dos 43 pacientes clinicamente N0, 16 % desenvolveram posteriormente recidiva regional, devido à alta taxa de metástases ocultas (41 %) 10. Todos os pacientes com carcinoma da língua classificados como T1 e T2 na série de Al-Rajhi et al 9 foram tratados com cirurgia e esvaziamento do pescoço, e mesmo assim a recorrência local foi observada em 19 %, após 1 ou 2 anos, pelo que devem observar-se intervalos de seguimento curtos.

Num estudo mais recente, An SY et al 8 trataram 63 pacientes, com carcinoma na língua em estadio I e II (T1-T2N0M0), com glossectomia parcial com ou sem esvaziamento ganglionar cervical. Dos 49 pacientes classificados como T1N0, apenas 13 se submeteram ao esvaziamento ganglionar, e dos 14 pacientes classificados como T2N0 apenas 7 tiveram tratamento do pescoço. Este tipo de tratamento revelou metástases linfonodais ocultas em 15,4 % dos pacientes em estadio I e 42,9 % nos pacientes em estadio II. Observou-se uma taxa de recidiva regional de 10,2 % e 35,7 % para os estadios I e II respectivamente.

Ainda quanto ao diagnóstico, a introdução de um novo método de imagem como o TEP-TAC não tem permitido grandes avanços 12. Schoder et al 13, num estudo em pacientes com carcinoma oral, avaliaram 36 pescoços classificados como N0 pela palpação, TAC negativo e imagem de ressonância magnética também negativa. O TEP-TAC mostrou sensibilidade (detecção de gânglio aumentado) e especificidade (detecção de células malignas) inferiores às outras técnicas, de acordo com a tabela 1.

Tabela 1 - Percentagens de Sensibilidade e Especificidade de alguns métodos de diagnóstico obtidas por alguns autores

Outra técnica que pode ser usada para avaliar o risco de metástases ocultas é o uso da biopsia do nódulo sentinela (BNS). O BNS é considerado mais seguro e preciso na fase inicial do carcinoma da língua no controlo de metástases ocultas no pescoço, do que o ECE 12. O BNS utiliza o mapeamento linfático (linfocintigrafia) para localizar e colher um pequeno grupo de nódulos linfáticos com maior probabilidade de apresentarem metástases, minimizando procedimentos invasivos 12,14. O dilema é que se o BNS for positivo será necessária uma segunda intervenção cirúrgica, o que constitui inconveniente manifesto. No entanto, resultados disponíveis a partir de vários estudos têm demonstrado uma boa sensibilidade e especificidade do BNS para detectar metástases ocultas nos gânglios linfáticos do pescoço em pacientes N0 e assim seleccionar os pacientes com necessidade de ECE. A técnica ainda é considerada em fase experimental e apenas alguns grupos têm obtido informação necessária para aplicá-la na prática clínica 12,15.

Conclusão

O médico dentista tem um papel fundamental na detecção do carcinoma da língua em fase inicial, uma vez que este não apresenta qualquer tipo de sintomatologia subjectiva. Deve fazer sempre uma inspecção rigorosa a toda a cavidade oral, observando as partes moles onde se inclui a língua. Nesta deve averiguar a presença do carcinoma nas suas formas mais comuns: a lesão branca, a lesão vermelha e a úlcera. Em caso de suspeita impõe-se a biópsia incisional.

Dado o grande potencial de invasão local e propensão para metástases linfonodais ocultas, aconselha-se a US em conjunto com a citologia aspirativa por agulha fina para as detectar.

A BNS ainda é considerada um método experimental, mas pode ser uma opção na fase inicial T1-T2 N0 para seleccionar os pacientes que necessitem de ECE. Esta deve ser feita em pacientes a partir do estádio II.


*Autor para correspondência.
Correio electrónico: filipepacoimbra@gmail.com (F. Coimbra).

INFORMAÇÃO SOBRE O ARTIGO
Historial do artigo:
Recebido em 18 de Novembro de 2010
Aceite em 15 de Dezembro de 2010

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Filipe Coimbra a, Raquel Costa b, Otília Lopes c, Elisabete Barbosa d, António Felino e,

a Professor Auxiliar de Medicina Oral da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP), Porto, Portugal
b Médica Dentista, Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP), Porto, Portugal
c Assistente de Medicina Oral da FMDUP, Aluna de Doutoramento da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP), Porto, Portugal
d Monitora de Medicina Oral da FMDUP, Aluna de Doutoramento da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP), Porto, Portugal
e Professor Catedrático da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP), Porto, Portugal