Artigo original
Prática de exercício físico e níveis de atividade física habitual em doentes com diabetes tipo 2 – estudo piloto em Portugal
Exercise practice and habitual physical activity levels in patients with type 2 diabetes: A pilot study in Portugal
Romeu Mendesa,??, , Edmundo Diasa,b, Artur Gamaa,b, Miguel Castelo-Brancoa,b, José Luís Themudo-Barataa,b
a Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal
b Centro Hospitalar Cova da Beira, Covilhã, Portugal
Recebido 22 Março 2012, Aceitaram 23 Maio 2012
Resumo
Objetivos

Caracterizar a prática de exercício físico e os níveis de atividade física (AF) habitual de doentes com diabetes tipo 2 e analisar a influência da prática de exercício e de alguns fatores sociodemográficos como a idade, género, meio habitacional e situação profissional na AF Habitual e nas suas componentes.

Tipo de estudo

Estudo observacional, transversal, descritivo e analítico.

Local

Consulta de Diabetologia do Centro Hospitalar Cova da Beira, Covilhã, Portugal.

População

Cento e um doentes com diabetes tipo 2 seguidos em consulta hospitalar de diabetologia.

Métodos

Durante entrevista clínica foram aplicados o International Physical Activity Questionnaire e um questionário sobre hábitos de exercício e suas principais características.

Resultados

A prevalência de prática de exercício regular era de 40,59%. Apenas 2,44% dos praticantes referiram praticar uma combinação de exercício aeróbio e exercício resistido. Quanto à avaliação dos níveis de AF Habitual, 34,65% apresentavam um nível baixo, 43,56% apresentavam um nível moderado e 21,78% apresentavam um nível elevado. Não foram identificadas diferenças significativas na AF Habitual entre praticantes e não praticantes de exercício. Foi observada uma correlação negativa e significativa entre a Idade e a AF Habitual e entre a Idade e a AF Vida Diária. Foram identificadas diferenças significativas na AF Habitual entre habitantes do meio rural e habitantes do meio urbano e diferenças significativas na AF Habitual e na AF Vida Diária entre indivíduos profissionalmente ativos e não ativos.

Conclusões

A prevalência de prática de exercício e os níveis de AF Habitual dos doentes com diabetes tipo 2 portugueses são claramente insuficientes. Praticar exercício não é sinónimo de ter uma AF Habitual minimamente saudável. O avançar da idade, habitar em meio urbano e perder a atividade profissional parecem ser fatores de risco para um estilo de vida sedentário e importantes alvos de intervenção.

Abstract
Objectives

To characterize exercise practice and levels of habitual physical activity (PA) of patients with type 2 diabetes and examine the influence of exercise practice and sociodemographic factors such as age, gender, residential area and employment status in Habitual PA and its components.

Type of Study

Observational, cross-sectional, descriptive and analytical study.

Local

Cova da Beira Hospital Centre, Diabetology Consultation, Covilhã, Portugal.

Population

One hundred and one patients with type 2 diabetes followed in hospital diabetology consultation.

Methods

International Physical Activity Questionnaire and a questionnaire about exercise habits and its main characteristics were applied during clinical interview.

Results

The prevalence of regular exercise practice was 40.59%. Only 2.44% of the practitioners reported practicing a combination of aerobic exercise and resistance exercise. When evaluating Habitual PA levels, 34.65% had a low level, 43.56% had a moderate level and 21.78% had a high level. No significant differences were identified in Habitual PA between practitioners and non-practitioners of exercise. It was observed a significant negative correlation between Age and Habitual PA and between Age and Daily Life PA. Significant differences were identified in Habitual PA between rural and urban residents and significant differences in Habitual PA and Daily Life PA between professionally active and non-active individuals.

Conclusions

Prevalence of exercise practice and Habitual PA levels of portuguese patients with type 2 diabetes are far from sufficient. Practicing exercise is not synonym of having a minimally healthy Habitual PA. Ageing, living in urban areas and the loss of professional activity appear to be risk factors for a sedentary lifestyle and important intervention targets.

Palavras-chave
Exercício, Atividade motora, Diabetes mellitus tipo 2, Estilo de vida sedentário, Comportamento de redução de risco
Keywords
Exercise, Motor activity, Type 2 diabetes mellitus, Sedentary lifestyle, Risk reduction behaviour
Introdução

A atividade física (AF) é considerada uma ferramenta terapêutica fundamental para atingir o controlo metabólico e reduzir o risco cardiovascular dos doentes com diabetes tipo 21–3. As organizações internacionais4,5 sugerem um mínimo de 150 minutos por semana de exercício aeróbio de intensidade moderada a vigorosa, complementados por um mínimo de 2 sessões semanais de exercício resistido. Os indivíduos com diabetes tipo 2 são ainda encorajados a aumentarem a AF inerente às atividades da vida diária para obterem benefícios adicionais na sua saúde2,4. A AF pode ser definida como qualquer movimento do corpo humano produzido pelo músculo-esquelético que resulta num aumento do dispêndio energético (DE).6 Todos nós realizamos AF para desenvolver as atividades relacionadas com a vida diária (ocupação profissional, tarefas domésticas, deslocações, agricultura, jardinagem, etc.) e para praticar exercício. A AF realizada regularmente por um dado sujeito pode ser considerada como a sua AF Habitual. O exercício físico é assim um subtipo de AF, que é planeada, estruturada, repetitiva e tem por objetivo melhorar ou manter a aptidão física e a saúde6–8. O exercício aeróbio refere-se aos exercícios que mobilizam os grandes grupos musculares de forma rítmica e durante longos períodos de tempo, como na marcha, corrida, natação ou ciclismo7,9. O exercício resistido refere-se aos exercícios durante os quais o músculo-esquelético produz movimento contra uma força aplicada ou carga externa7. Pode ser realizado em máquinas de resistência, com pesos livres, bandas elásticas, na água ou com o peso do próprio corpo9. Níveis mais elevados de AF Habitual estão associados a uma menor prevalência de doenças crónicas não transmissíveis como a diabetes tipo 2, hipertensão, doença das artérias coronárias, cancro da mama, cancro do cólon e depressão10–12. Em doentes com diabetes tipo 2, níveis superiores de AF Habitual estão também associados a um menor risco de mortalidade13 e a despesas inferiores com serviços médicos e consumo de medicamentos14, reduzindo assim a despesa dos sistemas de saúde. A avaliação dos hábitos de exercício e da AF Habitual da população, além da análise dos fatores sociodemográficos com potencial influência, parecem ser fundamentais para podermos identificar subpopulações em risco de sedentarismo e direcionar as medidas de intervenção15,16. Dados sobre a prevalência da prática de exercício e dos níveis de AF Habitual dos doentes com diabetes tipo 2 são escassos em Portugal.

Este estudo tem por objetivos: 1) caracterizar a prática de exercício e os níveis de AF Habitual de um grupo de doentes com diabetes tipo 2; 2) analisar a influência da prática de exercício na AF Habitual; 3) analisar a influência de alguns fatores sociodemográficos como a idade, género, meio habitacional e situação profissional na AF Habitual e nas suas componentes.

MétodosDesenho do estudo

Estudo observacional, transversal, descritivo e analítico. Foi realizada uma análise descritiva da prática de exercício e dos níveis de AF Habitual e uma análise analítica da influência das variáveis Prática de Exercício (praticantes vs. não praticantes), Idade, Género (feminino vs. masculino), Meio Habitacional (rural vs. urbano) e Situação Profissional (ativo vs. não ativo).

Amostra

Cento e um indivíduos com diabetes tipo 2 seguidos na Consulta de Diabetologia do Centro Hospitalar Cova da Beira (Covilhã, Portugal) foram entrevistados, aquando de consulta presencial entre janeiro e fevereiro de 2011. A amostra foi constituída por 55 mulheres e 46 homens com as características descritas na tabela 1.

Tabela 1.

Características da amostra

Variável  Média±DP 
Idade (anos)  65,96±9,34 
Duração da diabetes (anos)  17,44±9,55 
Índice de massa corporal (kg/m229,69±5,38 
Perímetro da cintura Mulheres (cm)  113,33±11,43 
Perímetro da cintura Homens (cm)  106,29±12,21 
Hemoglobina glicada (%)  8,74±1,57 
Glicemia plasmática jejum (mg/dl)  174,23±64,75 

Não foram entrevistados indivíduos que utilizavam meios auxiliares de marcha (N=4; bengalas, muletas, andarilhos ou cadeiras de rodas), que referiram ter estado doentes ou internados na última semana (N=3) ou indivíduos institucionalizados (N=2). Todos os sujeitos estavam polimedicados, incluindo 23,8% com antidiabéticos orais, 5,9% com insulina e 70,3% com uma combinação de antidiabéticos orais+insulina. Este estudo foi aprovado pela Comissão de Ética do Centro Hospitalar Cova da Beira, de acordo com a declaração de Helsínquia17. Todos os indivíduos foram informados sobre os objetivos do trabalho e assinaram um consentimento livre e informado sobre a utilização dos dados recolhidos.

Procedimentos

Os sujeitos foram questionados quanto aos seus hábitos de exercício regular (definido como praticado pelo menos uma vez por semana) e quanto ao tipo, modo, frequência semanal, duração e intensidade do exercício. A AF Habitual foi avaliada através do International Physical Activity Questionnaire (IPAQ)18, um instrumento que mede o DE em MET-min/semana. Um MET corresponde a 3,5ml/kg/min de oxigénio consumido19. Foi utilizada a versão curta deste instrumento, administrado por entrevista, que mede a AF Habitual referente aos últimos 7 dias. Neste questionário os sujeitos são inquiridos sobre toda a AF de intensidade vigorosa, AF de intensidade moderada e sobre os hábitos de marcha, quer sejam inerentes às atividades da vida diária – AF Vida Diária (atividades profissionais, atividades domésticas, jardinagem, agricultura, deslocações, etc.) – ou AF organizada e estruturada – Exercício, tendo como referência a última semana. Os resultados deste instrumento permitem a classificação da AF Habitual em 3 níveis: baixo, moderado e elevado. O protocolo de pontuação que permite a classificação dos vários níveis da AF está descrito e disponível em http://www.ipaq.ki.se. O nível moderado integra o cumprimento das recomendações mínimas de AF para a saúde pública (mínimo de 30 minutos de atividade física de intensidade moderada em 5 dias da semana, um mínimo de 20 minutos de atividade física de intensidade vigorosa em 3 dias da semana ou uma combinação de ambas)10. Apesar de não fazer parte do objetivo da versão curta deste instrumento, a partir das respostas e da pontuação atribuída a cada tipo de atividade é possível determinar o DE da AF Vida Diária e o DE do Exercício, uma vez que:

AF Habitual=AF Vida Diária+Exercício

Foram ainda recolhidos alguns dados sociodemográficos como o meio habitacional (rural ou urbano) e a situação profissional (ativo ou não ativo).

Tratamento dos dados

Os dados foram analisados com o software PASW®Statistics 18 para Windows®. A normalidade das variáveis analisadas foi testada através do One-Sample Kolmogorov-Smirnov Test. Os resultados da análise descritiva dos hábitos de exercício regular são apresentados em Média±Desvio Padrão. Os resultados da AF Habitual, AF Vida Diária e Exercício são apresentados em Mediana (amplitude interquartil). Para estudar a influência da variável Prática de Exercício na AF Habitual e na AF Vida Diária compararam-se as distribuições de praticantes e não praticantes de exercício através do Independent-Samples Mann-Whitney U Test. Para análise da associação entre a variável Idade e a AF Habitual, AF Vida Diária e Exercício foi utilizado o teste de correlação de Spearman. Para estudar a influência das variáveis Género, Meio Habitacional e Situação Profissional na AF Habitual, AF Vida Diária e Exercício compararam-se as distribuições de homens e mulheres, meio rural e meio urbano e profissionalmente ativos e não ativos, através do Independent-Samples Mann-Whitney U Test.

Resultados

Dos 101 sujeitos entrevistados, 40,59% referiram praticar exercício de forma regular. Quanto à prática por Género, 39,13% dos homens e 41,82% das mulheres referiram praticar exercício. Dos praticantes de exercício, 95,12% referiram praticar apenas exercício aeróbio, 2,44% referiram realizar apenas exercício resistido e 2,44% referiram praticar uma combinação de exercício aeróbio e exercício resistido. Em média, os praticantes de exercício aeróbio realizavam 244,55±169,94 minutos de exercício aeróbio por semana, distribuídos por uma frequência de 4,72±1,81 vezes e por uma duração de 53,55±32,64 minutos. O modo de exercício aeróbio mais praticado era a marcha (97,50%). Os praticantes de exercício resistido realizavam em média 255,00±63,64 minutos de exercício resistido por semana, distribuídos por uma frequência de 4,50±0,71 vezes e por uma duração de 56,50±4,95 minutos. As variáveis AF Habitual, AF Vida Diária e Exercício apresentaram uma distribuição assimétrica (One-Sample Kolmogorov-Smirnov Test p<0,001; p<0,001; p<0,001), com valores de mediana 1050,00 (2880,00-448,50), 657,00 (2076,00-132,50) e 0,00 (594,00-0,00) MET-min/semana, respetivamente. Quanto à avaliação dos níveis de AF Habitual, 34,65% apresentavam um nível baixo, 43,56% apresentavam um nível moderado e 21,78% apresentavam um nível elevado. Foi encontrada uma prevalência de prática de exercício de 25,70%, 59,10% e 27,30% nos sujeitos com nível de AF Habitual classificado como baixo, moderado e elevado, respetivamente. Na análise da variável Prática de Exercício, o Independent-Samples Mann-Whitney U Test identificou diferenças estatisticamente significativas na AF Vida Diária entre praticantes e não praticantes de exercício (tabela 2).

Tabela 2.

Resultados do Independent-Samples Mann-Whitney U Test na análise da AF Habitual e da AF Vida Diária de acordo com a variável Prática de Exercício

  Praticantes  Não praticantes  p 
AF Habitual (MET-min/semana)  N=41  N=60  0,156 
  Mean Rank=56,00  Mean Rank=47,58   
AF Vida Diária (MET-min/semana)  N=41  N=60  0,045* 
  Mean Rank=43,95  Mean Rank=55,82   

AF: atividade física.

*

Valor estatisticamente significativo.

Foi observado um coeficiente de correlação de Spearman negativo e significativo entre a Idade e a AF Habitual e entre a Idade e a AF Vida Diária, embora a associação entre as variáveis seja baixa (tabela 3). Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas na distribuição da AF Habitual, AF Vida Diária e Exercício de acordo com a variável Género (feminino vs. masculino; tabela 4). Na análise da variável Meio Habitacional, o Independent-Samples Mann-Whitney U Test identificou diferenças estatisticamente significativas na AF Habitual entre habitantes do meio rural e habitantes do meio urbano (tabela 5). Na análise da variável Situação Profissional, o Independent-Samples Mann-Whitney U Test identificou diferenças estatisticamente significativas na AF Habitual e na AF Vida Diária entre indivíduos profissionalmente ativos e não ativos (tabela 6).

Tabela 3.

Resultados da correlação de Spearman entre a variável Idade e a AF Habitual, AF Vida Diária e Exercício

  Idade 
AF Habitual (MET-min/semana)
Coeficiente de correlação  −0,328 
p  0,001* 
101 
AF Vida Diária (MET-min/semana)
Coeficiente de correlação  −0.368 
p  < 0,001* 
101 
Exercício (MET-min/semana)
Coeficiente de correlação  −0,027 
p  0,788 
101 

AF: atividade física.

*

Valor estatisticamente significativo.

Tabela 4.

Resultados do Independent-Samples Mann-Whitney U Test na análise da AF Habitual, AF Vida Diária e Exercício de acordo com a variável Género

  Feminino  Masculino  p 
AF Habitual (MET-min/semana)  N=55  N=46  0,056 
  Mean Rank=45,90  Mean Rank=57,10   
AF Vida Diária (MET-min/semana)  N=55  N=46  0,327 
  Mean Rank=48,40  Mean Rank=54,11   
Exercício (MET-min/semana)  N=55  N=46  0,902 
  Mean Rank=51,29  Mean Rank=50,65   

AF: atividade física.

Tabela 5.

Resultados do Independent-Samples Mann-Whitney U Test na análise da AF Habitual, AF Vida Diária e Exercício de acordo com a variável Meio Habitacional

  Meio Rural  Meio Urbano  p 
AF Habitual (MET-min/semana)  N=61  N=40  0,027* 
  Mean Rank=56,20  Mean Rank=43,06   
AF Vida Diária (MET-min/semana)  N=61  N=40  0,082 
  Mean Rank=55,09  Mean Rank=44,76   
Exercício (MET-min/semana)  N=61  N=40  0,693 
  Mean Rank=50,17  Mean Rank=52,26   

AF: atividade física.

*

Valor estatisticamente significativo.

Tabela 6.

Resultados do Independent-Samples Mann-Whitney U Test na análise da AF Habitual, AF Vida Diária e Exercício de acordo com a variável Situação Profissional

  Ativo  Não ativo  p 
AF Habitual (MET-min/semana)  N=21  N=80  0,001* 
  Mean Rank=70,43  Mean Rank=45,90   
AF Vida Diária (MET-min/semana)  N=21  N=80  < 0,001* 
  Mean Rank=74,10  Mean Rank=44,94   
Exercício (MET-min/semana)  N=21  N=80  0,519 
  Mean Rank=47,74  Mean Rank=51,86   

AF: atividade física.

*

Valor estatisticamente significativo.

Discussão

Este estudo teve por objetivo caracterizar a prática de exercício e os níveis de AF Habitual de um grupo de doentes com diabetes tipo 2. Foi também estudada a influência da variável Prática de Exercício e de alguns fatores sociodemográficos como a Idade, Género, Meio Habitacional e Situação Profissional na AF Habitual e nas suas duas principais componentes: AF Vida Diária e Exercício. Foi utilizada uma amostra de 101 doentes com diabetes tipo 2, de ambos os géneros, que revelaram ter o perfil etário e antropométrico típico deste tipo de população20: doentes envelhecidos e com excesso de peso, especialmente abdominal. As entrevistas foram todas realizadas na mesma estação do ano (inverno) de forma a evitar o enviesamento dos resultados da prática de exercício e da AF Habitual pela variação das condições climatéricas21. Os resultados deste estudo revelaram uma prevalência de prática de exercício regular de apenas 40,59% (39,13% dos homens e 41,82% das mulheres) entre os doentes com diabetes tipo 2. Contudo, este valor é claramente superior à prevalência de prática de exercício regular da população portuguesa (23%)22. Tal facto parece refletir uma maior consciencialização da população diabética para a importância da prática de exercício em relação à população geral23. Apenas temos conhecimento de um estudo em Portugal que analisou a prática de exercício em doentes com diabetes tipo 2. Gonçalves & Gimenez24, em 2005, caracterizaram a prática de exercício de 605 diabéticos seguidos em dois centros de saúde através de um questionário telefónico. A percentagem de indivíduos que afirmaram realizar exercício de forma regular foi de 39%. Esta prevalência é muito semelhante à encontrada pelo nosso estudo (40,59%). Nos últimos anos vários esforços têm sido feitos, em Portugal, no sentido de promover o exercício físico na população geral25 e na população diabética26 através de políticas de saúde. No entanto, a prevalência da prática de exercício nos doentes com diabetes tipo 2 não se parece ter alterado. Estudos realizados noutros países27,28 relataram prevalências entre 29,70% a 57,4% de prática de exercício na população com diabetes tipo 2. Quanto ao tipo de exercício, o nosso estudo demonstrou que a esmagadora maioria dos indivíduos praticantes revelou praticar exercício aeróbio de forma isolada, sendo a marcha o modo de eleição. No entanto, apenas um sujeito referiu praticar uma combinação de exercício aeróbio e exercício resistido, tal como o recomendado pelas organizações internacionais4,5. Os praticantes de exercício aeróbio realizavam 244,55±169,94 minutos de exercício aeróbio por semana, distribuídos por uma frequência de 4,72±1,81 vezes. Este volume é muito superior à recomendação mínima de exercício aeróbio para a população diabética (150minutos por semana distribuídos por um mínimo de 3 dias)4,5. Seria importante que os sujeitos dedicassem parte do tempo de prática de exercício aeróbio à prática de exercício resistido. Outros estudos que analisaram o exercício praticado por doentes com diabetes tipo 2 também demonstraram a prática quase exclusiva de exercício aeróbio, especialmente de marcha24,27,29. A marcha parece ser o modo de exercício mais popular na promoção da saúde pública e no controlo da diabetes tipo 2, dado o seu baixo custo, necessidade de poucas infraestruturas e recursos materiais, flexibilidade de horários de prática, facilidade de prescrição e monitorização, raras contraindicações e efeito metabólico imediato30–33. O exercício resistido tem adquirido nos últimos anos uma importância crescente na prevenção e controlo das principais doenças crónicas9,34,35, nomeadamente na diabetes tipo 24,36,37. No entanto, a sua promoção e prescrição reveste-se de dificuldades por estar tradicionalmente associado à utilização de equipamentos complexos de resistência38. É possível encontrar na literatura nacional a descrição de um programa de exercício direcionado para diabéticos tipo 2 de elevada aplicabilidade e de acordo com as recomendações internacionais, com exercícios resistidos realizados com o peso do próprio corpo e materiais de baixo custo39. Foi também objetivo deste estudo caracterizar os níveis de AF Habitual dos indivíduos da amostra. Para tal foi utilizado o IPAQ, um instrumento internacional, validado para a população portuguesa18 e amplamente utilizado na população diabética em vários países16,23,27,29,40,41. A versão curta deste instrumento foi administrada por entrevista, sempre pelo mesmo entrevistador, devido à heterogeneidade do nível de literacia da amostra estudada. Os exemplos dos vários tipos de atividades descritas ao longo do questionário foram adaptados ao contexto socioeconómico e cultural de cada indivíduo de forma a evitar o enviesamento dos resultados. Os resultados demonstraram que 34,65% da amostra apresentava um nível baixo, 43,56% apresentava um nível moderado e 21,78% apresentava um nível elevado de AF Habitual. Ou seja, através dos níveis de AF Habitual podemos considerar que 65,34% da amostra era fisicamente ativa (nível moderado+nível elevado). Estes resultados são discrepantes com os resultados da análise da prática de exercício, onde apenas 40,59% da amostra revelou ser ativa. Uma análise mais profunda aos nossos dados revelou que 25,70% dos indivíduos com um nível baixo de AF Habitual referiram praticar exercício de forma regular e 72,70% dos indivíduos com um nível elevado de AF Habitual referiram não praticar exercício. Estes dados sugerem que, nesta população, praticar exercício não é sinónimo de ter uma AF Habitual minimamente saudável e que a avaliação da AF Habitual parece ser mais importante do que a simples avaliação da Prática de Exercício. Em Portugal apenas temos conhecimento de um estudo42 que avaliou a AF Habitual de um grupo de doentes com diabetes tipo 2 (N=16; 49,8±9,8 anos de idade) também em meio hospitalar, embora com outro questionário (Questionário de Baecke Modificado). Porém, os níveis de AF Habitual foram classificados pelos autores de muito baixos. Estão disponíveis na literatura vários estudos internacionais que avaliaram a AF Habitual de indivíduos com diabetes tipo 2 utilizando o IPAQ16,23,27,29,40. No entanto, a percentagem de sujeitos que apresentou um nível de AF Habitual moderado ou elevado (sujeitos fisicamente ativos) oscilou entre os 69,30%27 e os 87,10%29, uma faixa de valores superiores ao verificado no nosso estudo (65,34%). Também Duarte et al.27 relataram uma discrepância entre a AF Habitual e a Prática de Exercício dos indivíduos com diabetes tipo 2. Tal como no nosso estudo, os autores realçam que existiram sujeitos com um nível de AF Habitual baixo que referiram praticar exercício regular e que, por outro lado, sujeitos com um nível de AF Habitual elevado referiram não praticar exercício. O International Prevalence Study on Physical Activity15, também realizado em Portugal utilizando o IPAQ, mas na população geral (40-65 anos), revelou que 26,20% da amostra portuguesa apresentou um nível baixo, 28,50% apresentou um nível moderado e 45,30% apresentou um nível elevado de AF Habitual. Este estudo apresentou, assim, uma população ativa (nível de AF Habitual moderado ou elevado) de 73,80%, valor também superior ao verificado no nosso estudo. Apesar da nossa amostra de diabéticos tipo 2 ter apresentado uma prevalência de prática de exercício regular superior à prevalência da população portuguesa (40,59% vs. 23%) apresentou níveis de AF Habitual inferiores (65,34% vs. 73,80%). Decidimos, assim, aprofundar a relação entre a Prática de Exercício e AF Habitual. Através dos dados do questionário utilizado, a AF Habitual foi decomposta em duas variáveis – AF Vida Diária e Exercício – de forma a podermos estudar a influência da Prática de Exercício quer na AF Habitual quer na AF Vida Diária. A distribuição assimétrica da AF Habitual medida pelo IPAQ encontrada neste estudo foi também encontrada noutros trabalhos16,18,40,41, justificando, assim, o uso de testes estatísticos não paramétricos. Os resultados evidenciaram não existirem diferenças significativas na AF Habitual entre praticantes e não praticantes de exercício, o que demonstra, tal como discutido anteriormente, que o praticar exercício de forma regular não significa ter uma AF Habitual mais elevada. Os resultados revelaram ainda que os indivíduos que praticavam exercício possuíam uma AF Vida Diária significativamente inferior aos indivíduos que não praticam exercício. Estes resultados podem ter duas interpretações: 1) praticar exercício pode estar associado a uma redução da AF Vida Diária, ou seja, pode ocorrer uma autorrestrição das atividades da vida diária associada ao exercício; 2) os indivíduos com um estilo de vida sedentário procuram mais o exercício físico como meio de equilibrar a sua AF Habitual. Não encontramos na literatura estudos que reportem e discutam resultados semelhantes e o desenho transversal deste estudo não permite o estabelecimento concreto de uma relação de causalidade entre estas duas variáveis. São necessários estudos experimentais e longitudinais para esclarecer esta questão. A análise da influência da Idade na AF Habitual, AF Vida Diária e Exercício demonstrou que existe uma associação negativa e significativa entre a Idade e a AF Habitual e a AF Vida Diária. Estes resultados sugerem que, tal como está descrito na literatura15,43,44, com o avançar da idade verifica-se uma diminuição da AF Habitual, que nesta amostra parece ter ocorrido devido à diminuição das atividades da vida diária. Estudos em doentes com diabetes tipo 223,29,45,46 também suportam os nossos resultados. O estudo da influência do Género revelou que este não parece ter influenciado de forma significativa a AF Habitual, nem a AF Vida Diária, nem o Exercício. No entanto, embora de forma não significativa (p=0,056), mas do nosso ponto de vista clinicamente relevante, o género feminino apresentava uma AF Habitual inferior ao masculino. Os estudos de Adeniyi et al.23 e Zhao et al.45 observaram níveis de AF Habitual significativamente inferiores nas mulheres com diabetes tipo 2, enquanto outros estudos16,46,47 não verificaram diferenças significativas. Por outro lado, os dados do International Prevalence Study on Physical Activity15 demonstraram que a população feminina portuguesa apresentava níveis de AF Habitual superiores à população masculina. A análise da influência do Meio Habitacional demonstrou que os habitantes do meio rural possuíam uma AF Habitual significativamente superior aos habitantes do meio urbano. Estas diferenças parecem ser explicadas por uma maior AF Vida Diária dos habitantes em meio rural em relação aos habitantes em meio urbano (embora de forma não significativa; p=0,082). O tempo dedicado a cuidar das hortas e jardins referido pelos habitantes do meio rural, assim como deslocações a pé para os locais de culto religioso, estabelecimentos comerciais e sociais, casas vizinhas e locais de trabalho, podem contribuir para esta diferença. Outros estudos realizados em Portugal48,49 e noutros países50, embora na população geral, também encontraram níveis de AF significativamente superiores nos habitantes do meio rural. O estudo da influência da Situação Profissional identificou diferenças significativas na AF Habitual e na AF Vida Diária entre os indivíduos profissionalmente ativos e não ativos. Os sujeitos profissionalmente ativos apresentavam uma AF Habitual significativamente mais elevada do que os sujeitos não ativos devido a uma AF Vida Diária significativamente superior. Apesar de não encontrarmos estudos na população diabética com este tipo de análise, vários estudos na população geral51–54 relataram uma diminuição da AF Habitual com a perda da atividade profissional, especialmente pela diminuição da AF inerente às atividades laborais e às deslocações para o emprego. Parece haver uma lacuna na literatura sobre a influência de algumas variáveis sociodemográficas, como o Meio Habitacional e a Situação Profissional, nos níveis de AF Habitual da população com diabetes tipo 2. Uma vez que a AF de uma forma geral e o exercício em particular são recomendados como uma estratégia fundamental no controlo da diabetes tipo 2 e das comorbidades associadas1–5, a nossa amostra apresentou prevalências de prática de exercício e níveis de AF Habitual ainda longe do recomendado, especialmente no que diz respeito ao exercício resistido. São necessárias medidas efetivas de promoção do exercício e da AF em toda a população, com atenção particular nas crianças e jovens11,55, de forma a criarem-se hábitos culturais que a médio e a longo prazo se estenderão a todas as faixas etárias e naturalmente à população diabética. Estratégias a curto prazo para aumentar a AF dos doentes com diabetes tipo 2 passam por proporcionar mais informações sobre os seus benefícios, aconselhar a integração da AF nas atividades da vida diária (uso das escadas em detrimento do elevador, as deslocações a pé, os passatempos ativos como a jardinagem e o bricolage, realização das tarefas domésticas, etc.), prescrever exercício físico de forma efetiva (adaptado às complicações e contraindicações de cada indivíduo) e pela criação de programas comunitários de exercício39. Parece ser também importante estudar as barreiras à prática de exercício nesta população, de forma a podermos adequar as medidas de intervenção. Este é o primeiro estudo conhecido em Portugal que avalia a prática de exercício e os níveis de AF Habitual da população com diabetes tipo 2 de forma integrada e que analisa os fatores sociodemográficos com potencial influência. Os nossos resultados têm implicações para a prática clínica e para a promoção da saúde pública. Estes dados podem ajudar os profissionais de saúde a identificarem os doentes com diabetes tipo 2 com maior risco de sedentarismo e a direcionarem o seu aconselhamento sobre AF. O nosso estudo apresenta, no entanto, algumas limitações: 1) o recrutamento de doentes com diabetes tipo 2 numa cidade do interior do país e em meio hospitalar pode não ser representativo dos diabéticos tipo 2 portugueses; 2) a prática de exercício e AF Habitual podem estar sobrestimadas, quer pelas limitações da utilização de questionários56 quer pelo interesse dos diabéticos em demonstrarem o cumprimento das recomendações para o controlo da doença; 3) as condições atmosféricas adversas típicas dos meses de inverno (janeiro e fevereiro) podem ter tido uma influência negativa na prática de exercício e AF Habitual reportada durante a recolha de dados;21 4) a falta de estudos realizados em Portugal na população com diabetes tipo 2 dificulta a discussão mais profunda e a comparação dos nossos resultados; 5) o desenho transversal deste estudo não permite o estabelecimento de relações de causalidade entre as variáveis analisadas.

Futuras investigações devem utilizar amostras representativas de todo o território nacional, quer em meio hospitalar quer nos cuidados de saúde primários, na tentativa de caracterizar com maior precisão os hábitos de AF dos doentes portugueses com diabetes tipo 2.

Em conclusão, a prevalência de prática de exercício e os níveis de AF Habitual dos doentes com diabetes tipo 2 portugueses são claramente insuficientes. É necessária uma maior consciencialização para a prática de exercício físico nesta população, especialmente do exercício resistido. Contudo, praticar exercício não é sinónimo de ter uma AF Habitual minimamente saudável. É importante intervir quer na prática de exercício quer na AF inerente às atividades da vida diária quando se pretende aumentar a AF Habitual desta população. O avançar da idade, habitar em meio urbano e perder a atividade profissional parecem ser fatores de risco para um estilo de vida sedentário e importantes alvos de intervenção. A avaliação da AF Habitual dos doentes com diabetes tipo 2 é uma importante ferramenta que deve ser integrada na prática clínica dos profissionais de saúde, com implicações no aconselhamento de um estilo de vida ativo e saudável.

Conflicto de interesses

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

Agradecimentos

Ao Mestre Pedro Miguel Silva do Centro de Investigação, Formação, Intervenção e Inovação em Desporto da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, pelo apoio no tratamento estatístico; à equipa administrativa e de enfermagem da Consulta Externa do Hospital Pero da Covilhã (Centro Hospitalar Cova da Beira), pelo apoio logístico na recolha de dados.

Bibliografia
1
American Diabetes Association
Standards of medical care in diabetes - 2012
Diabetes Care, 35 (2012), pp. S11-S63 http://dx.doi.org/10.2337/dc12-s011
2
International Diabetes Federation
Global Guideline for Type 2 Diabetes
International Diabetes Federation, (2005)
3
S.E. Inzucchi,R.M. Bergenstal,J.B. Buse,M. Diamant,E. Ferrannini,M. Nauck
Management of hyperglycemia in type 2 diabetes: A patient-centered approach: position statement of the American Diabetes Association (ADA) and the European Association for the Study of Diabetes (EASD)
Diabetes Care, 35 (2012), pp. 1364-1379 http://dx.doi.org/10.2337/dc12-0413
4
S.R. Colberg,R.J. Sigal,B. Fernhall,J.G. Regensteiner,B.J. Blissmer,R.R. Rubin
Exercise and Type 2 Diabetes: The American College of Sports Medicine and the American Diabetes Association: Joint position statement
Diabetes Care, 33 (2010), pp. e147-e167 http://dx.doi.org/10.2337/dc10-9990
5
T.H. Marwick,M.D. Hordern,T. Miller,D.A. Chyun,A.G. Bertoni,R.S. Blumenthal
Exercise training for type 2 diabetes mellitus: Impact on cardiovascular risk: A scientific statement from the American Heart Association
Circulation, 119 (2009), pp. 3244-3262 http://dx.doi.org/10.1161/CIRCULATIONAHA.109.192521
6
C.J. Caspersen,K.E. Powell,G.M. Christenson
Physical activity, exercise, and physical fitness: Definitions and distinctions for health-related research
Public Health Rep, 100 (1985), pp. 126-131
7
W.J. Chodzko-Zajko,D.N. Proctor,M.A. Fiatarone Singh,C.T. Minson,C.R. Nigg,G.J. Salem
American College of Sports Medicine position stand. Exercise and physical activity for older adults
Med Sci Sports Exerc, 41 (2009), pp. 1510-1530 http://dx.doi.org/10.1249/MSS.0b013e3181a0c95c
8
C.E. Garber,B. Blissmer,M.R. Deschenes,B.A. Franklin,M.J. Lamonte,I-M. Lee
Quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory, musculoskeletal, and neuromotor fitness in apparently healthy adults: Guidance for prescribing exercise
Med Sci Sports Exerc, 43 (2011), pp. 1334-1359 http://dx.doi.org/10.1249/MSS.0b013e318213fefb
9
R. Mendes,N. Sousa,J.L. Themudo Barata
Actividade física e saúde pública: recomendações para a prescrição de exercício
Acta Med Port, 24 (2011), pp. 1025-1030
10
W.L. Haskell,I.M. Lee,R.R. Pate,K.E. Powell,S.N. Blair,B.A. Franklin
Physical activity and public health: Updated recommendation for adults from the American College of Sports Medicine and the American Heart Association
Circulation, 116 (2007), pp. 1081-1093 http://dx.doi.org/10.1161/CIRCULATIONAHA.107.185649
11
World Health Organization
Global recommendations on physical activity for health
World Health Organization, (2010)
12
I.M. Lee,E.J. Shiroma,F. Lobelo,P. Puska,S.N. Blair,P.T. Katzmarzyk
Effect of physical inactivity on major non-communicable diseases worldwide: An analysis of burden of disease and life expectancy
13
D. Sluik,B. Buijsse,R. Muckelbauer,R. Kaaks,B. Teucher,N.F. Johnsen
Physical activity and mortality in individuals with diabetes mellitus: A prospective study and meta-analysis
Arch Intern Med, (2012), pp. 1-11
14
J.S. Codogno,R.A. Fernandes,F.M. Sarti,I.F. Freitas Junior,H.L. Monteiro
The burden of physical activity on type 2 diabetes public healthcare expenditures among adults: A retrospective study
BMC Public Health, 11 (2011), pp. 275 http://dx.doi.org/10.1186/1471-2458-11-275
15
A. Bauman,F. Bull,T. Chey,C.L. Craig,B.E. Ainsworth,J.F. Sallis
The International prevalence study on physical activity: Results from 20 countries
Int J Behav Nutr Phys Act, 6 (2009), pp. 21 http://dx.doi.org/10.1186/1479-5868-6-21
16
W. Mynarski,A. Psurek,Z. Borek,M. Rozpara,M. Grabara,K. Strojek
Declared and real physical activity in patients with type 2 diabetes mellitus as assessed by the international physical activity questionnaire and caltrac accelerometer monitor: A potential tool for physical activity assessment in patients with type 2 diabetes mellitus
Diabetes Res Clin Pract, 98 (2012), pp. 46-50 http://dx.doi.org/10.1016/j.diabres.2012.05.024
17
World Medical Association
Declaration of Helsinki. Ethical principles for medical research involving human subjects
J Indian Med Assoc, 107 (2009), pp. 403-405
18
C. Craig,A. Marshall,M. Sjostrom,A. Bauman,M. Booth,B. Ainsworth
International physical activity questionnaire: 12-country reliability and validity
Med Sci Sports Exerc, 35 (2003), pp. 1381-1395 http://dx.doi.org/10.1249/01.MSS.0000078924.61453.FB
19
W.D. McArdle,F.I. Katch,V.L. Katch
Exercise physiology: Nutrition, energy, and human performance
7th ed., Lippincott Williams & Wilkins, (2009)
20
American Diabetes Association
Diagnosis and classification of diabetes mellitus
Diabetes Care, 35 (2012), pp. S64-S71 http://dx.doi.org/10.2337/dc12-s064
21
K. Dasgupta,C. Chan,D. da Costa,L. Pilote,M. de Civita,N. Ross
Walking behaviour and glycemic control in type 2 diabetes: Seasonal and gender differences - study design and methods
Cardiovasc Diabetol, 6 (2007), pp. 1 http://dx.doi.org/10.1186/1475-2840-6-1
22
European Commission
Eurobarometer 72.3: Sport and physical Actrivity
European Commission, (2010)
23
A.F. Adeniyi,A.A. Fasanmade,O.S. Aiyegbusi,A.E. Uloko
Physical activity levels of type 2 diabetes patients seen at the outpatient diabetes clinics of two tertiary health institutions in Nigeria
Nig Q J Hosp Med, 20 (2010), pp. 165-170
24
A. Gonçalves,S. Gimenez
Caracterização da prática de exercício físico em doentes diabéticos tipo 2: estudo em dois centros de saúde
Rev Port Diabetes, 1 (2006), pp. 15-20
25
Direcção-Geral de Saúde
Circular Informativa N° 30/DICES - Actividade física e desporto: actuação ao nível da educação para a saúde
Ministério da Saúde, (2007)
26
Direcção-Geral da Saúde
Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes
Ministério da Saúde, (2008)
27
C.K. Duarte,J.C. Almeida,A.J.S. Merker,F.O. Brauer,T.C. Rodrigues
Nível de atividade física e exercício físico em pacientes com diabetes mellitus
Rev Assoc Med Bras, 58 (2012), pp. 215-221
28
D.C. Lee,I. Park,T.W. Jun,B.H. Nam,S.I. Cho,S.N. Blair
Physical activity and body mass index and their associations with the development of type 2 diabetes in Korean men
Am J Epidemiol, 176 (2012), pp. 43-51 http://dx.doi.org/10.1093/aje/kwr471
29
D.M. Modeneze,R. Vilarta,E.S. Maciel,J.G. Sonati,M. Eduardo,S.N. Souza
Nível de atividade física de portadores de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) em comunidade carente no Brasil
Medicina (Ribeirão Preto), 45 (2012), pp. 78-86
30
T. Fritz,U. Rosenqvist
Walking for exercise - immediate effect on blood glucose levels in type 2 diabetes
Scand J Prim Health Care, 19 (2001), pp. 31-33
31
C. Negri,E. Bacchi,S. Morgante,D. Soave,A. Marques,E. Menghini
Supervised walking groups to increase physical activity in type 2 diabetic patients
Diabetes Care, 33 (2010), pp. 2333-2335 http://dx.doi.org/10.2337/dc10-0877
32
S.F. Praet,E.S. van Rooij,A. Wijtvliet,L.J. Boonman-de Winter,T. Enneking,H. Kuipers
Brisk walking compared with an individualised medical fitness programme for patients with type 2 diabetes: A randomised controlled trial
Diabetologia, 51 (2008), pp. 736-746 http://dx.doi.org/10.1007/s00125-008-0950-y
33
E.W. Gregg,R.B. Gerzoff,C.J. Caspersen,D.F. Williamson,K.M. Narayan
Relationship of walking to mortality among US adults with diabetes
Arch Intern Med, 163 (2003), pp. 1440-1447 http://dx.doi.org/10.1001/archinte.163.12.1440
34
M.A. Williams,W.L. Haskell,P.A. Ades,E.A. Amsterdam,V. Bittner,B.A. Franklin
Resistance exercise in individuals with and without cardiovascular disease: 2007 update: A scientific statement from the American Heart Association Council on clinical cardiology and council on nutrition, physical activity, and metabolism
35
B. Strasser,U. Siebert,W. Schobersberger
Resistance training in the treatment of the metabolic syndrome: A systematic review and meta-analysis of the effect of resistance training on metabolic clustering in patients with abnormal glucose metabolism
36
M. Roden
Exercise in type 2 diabetes: To resist or to endure?
Diabetologia, 55 (2012), pp. 1235-1239 http://dx.doi.org/10.1007/s00125-012-2513-5
37
N. Hovanec,A. Sawant,T.J. Overend,R.J. Petrella,A.A. Vandervoort
Resistance training and older adults with type 2 diabetes mellitus: Strength of the evidence
J Aging Res, 2012 (2012), pp. 284635 http://dx.doi.org/10.1155/2012/284635
38
N.A. Ratamess,B.A. Alvar,T.K. Evetoch,T.J. Housh,W.B. Kibler,W.J. Kraemer
American College of Sports Medicine position stand. Progression models in resistance training for healthy adults
Med Sci Sports Exerc, 41 (2009), pp. 687-708 http://dx.doi.org/10.1249/MSS.0b013e3181915670
39
R. Mendes,N. Sousa,V.M. Reis,J.L. Themudo Barata
Programa de exercício na diabetes tipo 2
Rev Port Diabetes, 6 (2011), pp. 62-70
40
L. Criniere,C. Lhommet,A. Caille,B. Giraudeau,P. Lecomte,C. Couet
Reproducibility and validity of the French version of the long international physical activity questionnaire in patients with type 2 diabetes
J Phys Act Health, 8 (2011), pp. 858-865
41
C.H. van Schie,E.L. Noordhof,T.E. Busch-Westbroek,A. Beelen,F. Nollet
Assessment of physical activity in people with diabetes and peripheral neuropathy
Diabetes Res Clin Pract, (2011),
42
M. Marques,D. Carvalho,J. Medina,J. Duarte
A actividade física correlaciona-se significativamente com o grau de controlo metabólico da diabetes
Rev Port Endocrinol Diabetes Metab, 1 (2006), pp. 62
43
I.K. Crombie,L. Irvine,B. Williams,A.R. McGinnis,P.W. Slane,E.M. Alder
Why older people do not participate in leisure time physical activity: A survey of activity levels, beliefs and deterrents
Age and Ageing, 33 (2004), pp. 287-292 http://dx.doi.org/10.1093/ageing/afh089
44
A.C. King,D.K. King
Physical activity for an aging population
Public Health Rev, 32 (2010), pp. 401-426
45
G. Zhao,E.S. Ford,C. Li,L.S. Balluz
Physical activity in U.S. Older adults with diabetes mellitus: Prevalence and correlates of meeting physical activity recommendations
J Am Geriatr Soc, 59 (2011), pp. 132-137 http://dx.doi.org/10.1111/j.1532-5415.2010.03236.x
46
K. Iijima,S. Iimuro,T. Shinozaki,Y. Ohashi,T. Sakurai,H. Umegaki
Lower physical activity is a strong predictor of cardiovascular events in elderly patients with type 2 diabetes mellitus beyond traditional risk factors: The Japanese elderly diabetes intervention trial
Geriatr Gerontol Int, 12 (2012), pp. 77-87 http://dx.doi.org/10.1111/j.1447-0594.2011.00815.x
47
E. Morrato,J. Hill,H. Wyatt,V. Ghushchyan,P. Sullivan
Physical activity in U.S. adults with diabetes and at risk for developing diabetes, 2003
Diabetes Care, 30 (2007), pp. 203-209 http://dx.doi.org/10.2337/dc06-1128
48
J. Araújo,E. Ramos,C. Lopes
Estilos de vida e percepção do estado de saúde em idosos portugueses de zonas rural e urbana
Acta Med Port, 24 (2011), pp. 79-88
49
E. Sobngwi,J.C. Mbanya,N.C. Unwin,A.P. Kengne,L. Fezeu,E.M. Minkoulou
Physical activity and its relationship with obesity, hypertension and diabetes in urban and rural Cameroon
Int J Obes Relat Metab Disord, 26 (2002), pp. 1009-1016 http://dx.doi.org/10.1038/sj.ijo.0802008
50
R.M. Masterson Creber,L. Smeeth,R.H. Gilman,J.J. Miranda
Physical activity and cardiovascular risk factors among rural and urban groups and rural-to-urban migrants in Peru: A cross-sectional study
Rev Panam Salud Publica, 28 (2010), pp. 1-8
51
U. Berger,G. Der,N. Mutrie,M.K. Hannah
The impact of retirement on physical activity
Ageing Soc, 25 (2005), pp. 181-195
52
I. Barnett,D. Ogilvie,C. Guell
Physical activity and the transition to retirement: A mixed-method systematic review
J Epidemiol Community Health, 65 (2011), pp. A34
53
S. Chung,M.E. Domino,S.C. Stearns,B.M. Popkin
Retirement and physical activity: Analyses by occupation and wealth
Am J Prev Med, 36 (2009), pp. 422-428 http://dx.doi.org/10.1016/j.amepre.2009.01.026
54
A.S. Slingerland,F.J. van Lenthe,J.W. Jukema,C.B. Kamphuis,C. Looman,K. Giskes
Aging, retirement, and changes in physical activity: Prospective cohort findings from the GLOBE study
Am J Epidemiol, 165 (2007), pp. 1356-1363 http://dx.doi.org/10.1093/aje/kwm053
55
L. Andersen,S. Anderssen,N. Bachl,W. Banzer,S. Brage,W. Brettschneider
Orientações da União Europeia para a actividade física: politicas recomendadas para a promoção da saúde e do bem-estar
Instituto do Desporto de Portugal, (2009)
56
R.J. Shephard
Limits to the measurement of habitual physical activity by questionnaires
Br J Sports Med, 37 (2003), pp. 197-206
WARNING Invalid argument supplied for foreach() (includes_ws/librerias/html/item.php[1203])
Copyright © 2012. Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo

Open Access

Licença Creative Commons
Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

+ info